ARTIGO, O DIA QUE O PASTOR NÃO FOI A IGREJA.

Era um domingo muito bonito. O sol espreguiçou no horizonte bem cedo. os pássaros gorjeavam felizes. Tudo indicava que os cultos daquele dia seriam concorridos, com a presença maciça dos crentes. As 8h30 começaram a chegar os primeiros crentes. Podia-se perceber a alegria com que vinham a Casa de Deus. As 9h. em ponto, a diretora da EBD deu inicio ao trabalho. A congregação cantava animada: “Oh! vem, vem a igreja comigo, sim, vamos servir ao Senhor! Pois maior alegria não temos de que ter comunhão em amor”. Os que chegavam atrasados, iam se agrupando à porta de entrada do templo.

Na divisão das classes notaram algo estranho. A esposa do pastor, professora da classe das senhoras, não estava presente. O pastor também não estava à frente da classe de candidatos ao batismo. Na classe de adolescentes, todos perceberam a ausência dos filhos do pastor. Estranho. Tudo muito esquisito. O que teria acontecido à família do pastor?

O vice moderador estava doente, acamado. Mesmo assim, ao ser consultado, nada sabia sobre a ausência do pastor. Telefonaram para a residência pastoral. Ninguém atendia. Nunca havia acontecido algo semelhante.

Aproximava-se a hora do culto e o pastor não chegava. Ninguém sabia quem seria o pregador. Aliais, sequer havia alguém escalado para dirigir o culto. A diretora da EBD, muito sem jeito, comunicou à igreja a ausência do pastor. Leu um Salmo, fez uma oração e despediu os crentes. Estava terminado o culto matutino. Todos voltaram pra os seus lares acabrunhados.

A ausência do pastor foi o assunto do almoço nas casas dos crentes. Várias hipóteses foram levantadas: Fôra chamado as pressas a casa de alguém? Estaria num hospital? Algum acidente?

Alguns crentes, resolveram dar uma chegada na casa pastoral. Ninguém atendia. Até que o vizinho deu uma surpreendente informação: “O pastor saiu hoje bem cedo com a família. Estava com uma vara de pescar e uma cesta de piquenique. Foi em direção ao litoral.” Ninguém acreditou.

Na hora do culto noturno, o pastor também não apareceu. Um irmão ficou plantado à porta da casa pastoral, aguardando novidades. As 8h da noite, aproximando-se um carro bem familiar. Era o pastor. Fisionomia cansada. Rosto queimado do sol. Os filhos com areia nos pés. Todos com roupas de banho.

“Pastor, hoje é domingo? O senhor esqueceu das atividades da igreja? Estão todos lá esperando o senhor!”, exclamou o irmão. Aquelas perguntas não removeram a tranquilidade do pastor. Sem responde-las, entrou na casa e mandou que o irmão aguardasse.

Tomou um banho, e depois veio conversar. Ouviu outro breve relatório do domingo: “Pastor, o culto da manhã ficou prejudicado pela sua ausência. O evangelismo à tarde foi feito com pouquíssimas pessoas. No culto da noite, ninguém sabia se podia contar com o irmão. O que aconteceu pastor?”

“Não aconteceu nada”, disse seriamente o pastor. Prosseguiu: “Como ando cansado, resolvi imitar alguns irmãos da igreja. Utilizei o domingo do Senhor para fazer outras coisas. Imitei também alguns lideres que desaparecem sem dar qualquer explicação. Pensei comigo mesmo: ninguém sentira a minha falta. Achei que, certamente os outros crente fariam a obra de Deus.

Aquele irmão saiu pensativo da casa pastoral. Reconheceu que cada crente tem sua parcela de responsabilidade na obra de Deus. Conscientizou-se de que a obra não é apenas do pastor, mas de Deus. Viu como a indiferença, os atrasos desnecessários e as ausências injustificadas atrapalham o crescimento da igreja. Uma pergunta, entretanto, não lhe saía da mente: “Como andaria a igreja, se o pastor e os outros irmãos resolvessem imitar a minha vida?”

Templo constantemente fechado ou abarrotado de visitantes? Bancos vazios ou novas congregações e pontos de pregação? Homens amarados pelo pecado ou pessoas regeneradas, salvas por Cristo? Como estaria a sua igreja, se o Pastor e os outros crentes imitassem a sua vida?

Pr Renato Cordeiro - PIB de Teresópolis - RJ

(Extraído do boletim “O Acariense” da Igreja Batista de Acari - 31.07.1983).

Retirado de Pastor Carlos Elias!!!
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