O Messianismo em Israel | por Ricardo Neto

Desde muito cedo Israel cultivou uma esperança profunda nas palavras divinas acerca do Messias. Desde o tempo de Davi havia uma ligação muito próxima entre o conceito de Messias e a figura do Rei. O termo Messias vem do hebraico Mashiah, e significa “ungido”. O verbo correspondente é “untar” ou “ungir”. A conexão entre o termo “ungido” e a figura do rei se dá no momento da escolha de Davi como rei:

Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os moços? E disse: Ainda
falta o menor...

A partir desse momento a figura do rei de Israel passou a ser considerado o “Ungido de Yahweh”. Tal entrelaçamento se tornou mais nítido com o reinado de Davi, considerado o melhor rei de Israel. A paz interna, uma boa política externa
e uma centralização do culto a Yahweh, tornaram o reinado de Davi digno de recordação. Contudo, é através da questão da sucessão do reinado de Davi que temos a profecia que estabelece a fidelidade de Deus à casa de Davi. Em 2Sm 7, 8-17, Deus diz a Davi:

Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre...

É aqui que encontramos a profecia base para a crença no Messias vindouro, cuja origem seria da casa (descendência) de Davi, e seria “filho de Deus”: “Eu lhe serei por Pai e ele me será por filho”; também a certeza que Deus nunca desampararia a casa (descendência) de Davi, cujo reino “seria firmado para sempre”. 

Diante do processo de estagnação e corrupção da monarquia que
provoca as diversas catástrofes históricas em Israel culminando na destruição de Jerusalém em 587 a.C., temos a demonstração que a realeza e o povo não corresponderam ao grande ideal de Deus e do Reinado messiânico! Enfim, o cativeiro. E com ele a crise teológica: Será que Yahweh ainda dirige os fatos?
Será que Yahweh tem mesmo controle sobre os acontecimentos?

É na literatura profética, tanto pré-exílica como pós-exílica, que
encontramos o que Deus quer: arrependimento e restaurar a paz na terra! A realização do projeto escatológico de Deus se faz no decorrer do processo histórico, e depois do exílio revela nitidamente uma mudança de perspectiva, mas ela revela, ao mesmo tempo, o grande esforço de manter a fé, reforçar a
esperança no agir histórico de Deus, “apesar de tudo”.

O povo de Israel conviveu com essa expectativa messiânica por um longo período, atravessando os séculos que sucederam o retorno do cativeiro babilônico, e posteriormente a dominação persa. Outras passagens proféticas juntaram-se àquelas proferidas pelos profetas clássicos de Israel, a saber a do profeta Miqueias:
“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto, os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então, o resto de seus irmãos voltará com os filhos de Israel. E ele permanecerá e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor, seu Deus; e eles permanecerão, porque agora será ele engrandecido até aos confins da terra” (Mq 5.2-4)...

Ele veio, Ele vem, Ele virá!!!

Ricardo Neto!